7 episódios intrigantes (curiosos) dos Simpsons




Entre Brasil, Índia e China, política e telecomunicações, empresas e o governo, o que os episódios dos Simpsons tem a nos mostrar além do sempre bom humor de Homer Simpson?

Obviamente é difícil destacar uma lista de episódios intrigantes, sendo que boa parte são, bem como majoritariamente contém pesadas críticas à sociedade norte-americana que muitas vezes passam despercebidas por nossa mente.

Não irei detalhar o enredo ou a discussão que cada episódio traz, afinal o post de hoje é para você refletir sobre o que uma das mais famosas famílias da televisão mundial quer mostrar:



GI (Annoyed Grunt)
Crítica ao: exército norte americano e como ele desfruta do poder.



Neste memorável episódio, o exército norte americano com poucos recrutas em suas fileiras, decide se dirigir à Escola Elementar de Springfield. Bart acreditando na mentira dos militares acaba aceitando efetuar seu alistamento. Em sua casa, logicamente, a idéia não foi bem recebida e assim Homer foi anular. Quando chega, todavia, ele é enganado pelos militares e acaba se tornando um recruta. No treinamento Homer é mandado para o grupo dos caçados enquanto os demais militares são os caçadores. Um jogo de guerra.

Como o ótimo e velho humor dos Simpsons, o episódio está cheio de pesadas críticas ao modo que o exército norte americano age. Era como se Springfield fosse uma espécie de vila do Vietnã ou do Iraque e os militares pudessem abusar do poder à vontade (persuadindo os moradores e destruindo seus pertences). Em dado momento até um oficial próximo ao coronel diz que a operação até "aquela manhã teria custado milhões" (ou bilhões, não lembro ao certo). O capítulo se encerra com o exército sendo derrotado, porém Homer invés de ser um recruta caçado novamente, torna-se responsável pelos alistamentos devido à sua ingenuidade em não conseguir ser realmente sincero e mostrar o que as forças armadas verdadeiramente são. O episódio mostra claramente como o exército pode criar várias faces: a de heroína, vilã ou das duas juntas.


Beijos Beijos, Golpe a Indiana (Kiss Kiss, Bang Bangalore)
Crítica à: terceirização e exploração dos trabalhadores de países mais pobres.



Se o episódio anterior foi um soco no estômago para o exército, este é literalmente um golpe aos empresários. É um dos meus capítulos favoritos.

Enfim enfim, no episódio em questão, Homer vai para a Índia ao mando de sr. Burns, a fim de controlar uma usina nuclear terceirizada. Em outras palavras, a usina de Springfield não existiria mais e quem trabalharia por todos os americanos seriam os indianos. Qualquer similaridade com o nosso mundo não é mera conhecidência. O ápice da crítica chega no final do episódio quando seus amigos, família e Burns chegam para verificar como está indo o trabalho de Homer. Este vira um Deus para os indianos. Os orientais quando revelados que Homer na verdade não era um Deus, mas sim um “homem burro”, eles educadamente dizem que sabiam que o Simpson não era um Deus e que o haviam considerado uma divindade porque ele tinha mostrado coisas que os indianos não sabiam que existiam como, “férias remuneradas”, “décimo e terceiro salário” e entre outras vantagens que o proletário deveria ter. Burns demite todos e os indianos festejam porque não seriam mais vítimas de abusos das potências e além de tudo ganhariam o seguro desemprego, conforme Homer prometeu dar.


O Feitiço de Lisa (Os Simpsons vão ao Brasil) [ATENÇÃO NESTE TEXTO]
Crítica ao: modo como a sociedade norte americana vê outros países (Brasil).



Pedi atenção redobrada neste texto porque tal episódio foi vítima de uma lista imensurável de críticas e difamações principalmente por parte dos telespectadores brasileiros. Acredito que muitos já conheçam a história: Simpsons no Brasil, favela, Homer é sequestrado.. Os Simpsons vão ao Rio de Janeiro e de lá vêem as favelas, todos jogando futebol (até animais), floresta e bandidos. Perceberam? Isto são infelizmente estereótipos que o Brasil tem NO PONTO DE VISTA DOS AMERICANOS, sociedade no qual Matt Groening sempre criticou desde o início. Talvez a intenção dele neste episódio fosse realmente alertar os brasileiros, porém é muito mais plausível que a função do capítulo fosse a de mostrar ao mundo como os norte-americanos (alguns deles), como potência mundial, colocam palavras-chaves ou impõem estereótipos totalmente superficiais sobre vários países.

É bom enfatizar que Os Simpsons já foram para países como Inglaterra, China, Japão, Índia, Austrália, Irlanda, alguns da África e muitos outros. Em todos eles o objetivo fora o mesmo: retratar como os estereótipos podem denegrir a imagem de uma nação.


O massacre do depoimento de Kent (You Kent Always Say What You Want)
Crítica à: mídia sensacionalista e seu envolvimento com a política.



Esse era o tipo de capítulo que deveria ser transmitido alguns dias antes das eleições.

O próprio título deste episódio já é um verdadeiro “pontapé” nas comunicações que desfrutam de alternativas sensacionalistas que atraem o público, embora de maneira pouco interessante e inteligente. No capítulo, Homer compra a milionésima casquinha e como prêmio, é convidado à ser entrevistado por Kent Brockman em seu programa, Smartline (uma espécie de talk-show). Na televisão, o Simpson acidentalmente derruba café no jornalista e este cita um palavrão ao vivo. Por mais que poucas pessoas tivessem visto, Ned Flanders enviou uma crítica para a emissora, culminando na demissão de Kent. Ele passa a morar com os Simpsons e o episódio se torna mais interessante.

Lisa se pergunta como a Fox News pode ser tão conservadora enquanto o canal Fox tão liberal, um contraste, portanto. Kent explica que isto serve para aumentar a popularidade do Partido Republicano (que nos Simpsons são satirizados e retratados através do Burns, The Rich Texan, Drácula, Krusty e entre outros poderosos). Lisa então pega sua webcam e grava a revelação que Kent faz acerca do envolvimento da mídia com a política. Como o vídeo é colocado na Internet, muitos usuários assistem e concordam com o jornalista. Os partidários republicanos então resolvem fazer uma proposta à Kent, aumentando seu salário e concedendo outras vantagens. Para a infelicidade de Lisa, ele aceita.

No fim do capítulo Lisa desabafa para Homer que ninguém tem coragem de criticar a mídia. O Simpson diz que tem algo muito importante para falar sobre a Fox, porém quando ele ia falar é transmitido o logotipo da 20 Century Fox Television. Homer persiste e diz que vai revelar a grande verdade para nós telespectadores. Novamente ele é cortado. Sim sim, foi isso mesmo, eles satirizaram até a censura.


Por favor Homer, não faça isso (Please Homer, Don’t Hammer’ Em)
Crítica à: sociedade machista.



As mulheres adoram ou vão adorar este episódio.

Homer compra uma antiga coleção de livros sobre carpintaria, todavia não vê interesse em lê-los e tampouco praticar a atividade com a madeira. Marge começa a usá-los para arrumar a casa e verifica que isto pode dar dinheiro para a família. Os clientes ao verem Marge, negam que ela possa ser uma profissional em potencial. A Simpson tem uma ideia e chama Homer para supostamente realizar os trabalhos. Na verdade quem realizaria as visitas seria Homer, porém ela ficaria escondida até seu cliente sair para que pudesse realizar o serviço enquanto seu marido ficava apenas observando. Isto obviamente gerou problemas.

Primeiramente Homer e somente ele passou a ser reconhecido pelo seu trabalho. Cool! Mas quem fazia tudo era Marge e a partir disso ela se negou a fazer os serviços bem no momento que seu marido é convidado a reformar uma montanha russa. Logicamente a reforma dá errado e Homer teve que reconhecer o trabalho de sua esposa, concedendo todos os créditos dos serviços à ela.

O episódio é sensacional porque é um espelho para a nossa sociedade. Mesmo que muitos digam que o Homer é um idiota assim como muitos personagens da animação, muitas vezes agimos como eles. Acabamos negando a perfeição da mulher apenas para manter o velho tradicionalismo machista de que o homem faz tudo. Assim alguns serviços, como o de carpinteiro, nestes termos seriam apenas para homens, quando na realidade é para ambos os sexos.


Goo Goo Gai Pan
Crítica à: modo como a sociedade norte-americana vê os outros países (China).



Como o episódio do Brasil, este episódio é carregado de críticas e sátiras para as dezenas de estereótipos. O que eles vão para a China não poderia ser diferente. 

Selma deseja adotar uma criança, entretanto encontra dificuldades para isso, caso não fosse o apoio de Lisa que diz que na China há várias crianças disponíveis para serem adotadas. Sendo obrigada a dizer o nome do marido no consulado chinês, ela coloca Homer Simpson (d’oh).

Um dos ápices das críticas para sociedade americana e seu modo de pensar, é quando Homer chega no túmulo de Mão Tse Tung e diz: “parece que está dormindo como um anjinho que matou cinquenta milhões de pessoas”. A fim de retratar a rigidez do regime da China, os Simpsons são cuidadosamente seguidos pela funcionária do Centro de Adoção, Madame Wu. Até o processo de adoção terminar, os Simpsons passam a conhecer a cultura chinesa, mostrando as rivalidades dos Estados Unidos com o país do bloco comunista e outras sátiras.

Porém Wu acaba descobrindo a farsa e leva o bebê novamente. Selma logicamente retorna juntamente com Homer, sendo que ela até confronta de frente com um tanque (sim, como aquela fotografia do homem na Praça da Paz Celestial) e em dado momento, o Simpson chega em um quarto cheio de bebês na espera da adoção, processo prolongado devido às grandes burocracias e a falta de sentimentalismo (novamente o comunismo na visão dos capitalistas).

Sensibilizada, a funcionária acaba deixando todos irem com o bebê, todavia o Bart que acompanha a sua família é na verdade uma criança chinesa espiã, fazendo referência, possivelmente, à KGB ou outro serviço secreto comunista.


O Ataque dos Monstros de 40 metros – A casa da árvore dos horrores VI (Treehouse of Terror VI)
Crítica à: publicidade.



Esse texto será um tanto revolucionário. Porém não é a minha intenção.

Por mais que os episódios de halloween sejam bem bobinhos (talvez eles sejam mais destinados às crianças do que para os jovens e adultos), tal capítulo me chamou muito a atenção por um detalhe: como a publicidade pode ser uma arma perigosa (no sentido figurado, é lógico).

Homer rouba a rosquinha de uma estátua gigante, que posteriormente ganha a vida como as demais estátuas de propaganda e passam a destruir a cidade de maneira irracional. Lisa fala com Paul Anka, o homem que criou as propagandas para que ele fizesse um jingle (canção) a fim de que as pessoas prestassem a atenção nele e não nas estátuas gigantes de propaganda. Haha! Essa parte foi genial, admito.

Para quem não entendeu a intenção, ou a provável finalidade do enredo, o capítulo buscou mostrar como somos suscetíveis às propagandas, e até mesmo glorificamos comerciais ridículos só porque eles aparentemente são atraentes e estão recheados de mensagens subliminares. No final do episódio, Homer é tentado a aceitar uma rosquinha de uma estátua gigante, que só é derrotada quando perde a atenção.

As propagandas na nossa sociedade cresceram de uma maneira tão gradativa que a originalidade não as acompanhou. Como citei anteriormente, os comerciais são uma “arma” extremamente poderosa e sob uma oligarquia conservadora (céus, me senti um revolucionário agora), que adquiriram força própria sem que as pessoas percebessem. O público acabou virando a vítima, e o episódio conseguiu mostrar isto perfeitamente (por isso a cidade foi invadida). Matt Groening também conseguiu retratar que a massa pode ser ingênua. As estátuas gigantes que, por exemplo, só pararam de atacar quando as pessoas passaram a dar atenção à outra coisa sem se perguntar porque estavam gostando daquilo. Sim. Nós nos perguntarmos o motivo de estarmos fazendo algo, comprando ou até mesmo vendo, deve ser considerado. Somos seres racionais. Certo?

Afinal de contas, que propaganda é aquela que não tem um público?


See ya!

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