Half Life: Blue Shift – Capítulo 2 Prt.2








CAPÍTULO 3: Prt. 3
Capítulo 2 - Duty Calls - Parte 2

Sector G Hydro Eletric

Barney sabia que um projétil de um fuzil fazia um trajeto de uma maneira surpreendentemente rápida, embora muitos pensassem que era bobagem um segurança pensar nisso enquanto estivesse atirando na sala de treinamento. Se estivesse próximo de uma pessoa e ela apertasse o gatilho, deveria considerar-se morto. Nunca esteve nesta situação, mas acreditava que a criatura que estava o encarando com o seu raio reluzente poderia acertar em cheio a sua face.

Não era um dos mais ágeis da Black Mesa, aprendeu apenas algumas técnicas de salto e outros movimentos discretos. Em milésimos de segundos esqueceu qualquer tipo de treino, filmes de ação com dublês e finalmente o fato de estar frente a frente de um ser vivo que mal conhecia. O barril onde estava apoiado permanecia na horizontal, então não oferecia uma proteção suficiente para a cabeça. Abaixou-se o quanto pôde e fechou os olhos. Seu coração pulsava rapidamente.

Um raio estourou fortemente na peça metálica. O barril verde esquentou e ficou eletrizado subitamente, lançando uma discreta fumaça a partir do lugar onde a carga de energia bateu. Barney virou todo o seu corpo. Pouco se importava se aquele alienígena o visse desprotegido.

Em momentos sentia orgulho de si próprio. Pensava que nunca teria de usar sua arma, sequer dar um único disparo em situações como essas, no entanto deixava o pente em um lugar de fácil acesso, mais precisamente no cinto de utilidades. Em menos de trinta segundos estava pronto. Ansioso e com o corpo contorcido no chão, escutava apenas algumas onomatopéias e outros rugidos selvagens. Sorriu maliciosamente olhando o cano da arma até finalmente apertar o gatilho.

Duas balas acertaram na parede e outras três chocaram em um tubo grosso de metal próximo dos portões. A criatura recuou, tentando realizar uma fuga aparentemente desesperada, porém Calhoun crivou seu corpo. Os tiros adentraram violentamente o peito do alienígena vertiginoso, que caiu de boca no chão. Seu corpo arrastou-se para frente devido a velocidade que corria. Manteve a posição ereta. Sua morte foi instantânea e terminou com um ruído de dor que ecoou em todo o recinto. Barney cutucou a criatura com a ponta da arma e verificou se ainda estava viva. Por mais que avançasse parecia nunca chegar em um local menos perigoso. Talvez o cientista do duto não era tão louco como pensava.

O segurança andou em direção de uma porta de metal entre aberta. Tudo passava de maneira tão incoerente que não questionava o que fazia e nem com o que se deparava.

As luzes permaneciam acessas no pequeno quarto quase sufocante, que a primeira vista parecia estar totalmente danificado. Algumas faíscas solitárias saiam de um botão de comando de abertura de um dos portões. Um letreiro sinalizava para onde os túneis levavam e outro mais abaixo advertia o perigo de alta voltagem. De fato não era uma das pessoas mais decididas do mundo e felizmente apenas um dos botões funcionavam, o que levava para o túnel sul.

Antes que saísse da sala de comando, a mesma bola verde surgiu, largando outro alienígena que acabara de matar. Desta vez não deixou o inimigo reagir. Disparou sucessivas vezes até vê-lo deitado no chão cinzento com vários buracos no peito. Um líquido esverdeado, que parecia ser equivalente ao sangue humano, escorria pelas paredes. Fragmentos de bala estavam espalhados pelo local assim como restos de órgãos. Agora não tinha mais volta, teria que avançar. 

Cruzou dezenas de caixas e milagrosamente passou por outros obstáculos. O depósito era como qualquer outro: caixas, barris, corredores e um teto de concreto rachado que ameaçava desabar. Não olhou atentamente para os lados e andava como um gangster com sua arma empunhada. Visto que não haviam tantos sobreviventes, a melhor opção era de atirar em qualquer ser que se movesse.

Barney massageou as têmporas enquanto recarregava sua arma, limpando os dedos cobertos de graxa. Fazia barulhos solitários naquele ambiente sombrio. Ele olhava para o teto enquanto tentava descansar e temia que um pedaço de tijolo caísse em sua cabeça matando-o da maneira mais estúpida possível, afinal não tinha chegado até ali para morrer dessa forma. Uma morte totalmente ridícula, pior do que estar em uma guerra e ter o corpo crivado de balas por algum aliado.

O depósito não era muito grande e em poucos minutos, Calhoun conseguiu explorar todo o ambiente. Virou a esquina e achou alguns guindastes sob uma área asfaltada que permitia o trânsito de veículos pequenos. Limpou seu rosto e mexeu nos botões dos guindastes. Seus olhos negros arregalaram-se ao ver que a máquina ainda funcionava.

Calhoun afastou alguns barris para poder subir no guindaste velho com roldanas que adquiriam a cor alaranjada devido ferrugem que cobriu o metal. Embora estivesse receoso, não havia muitas opções, já que de fato não poderia contar com o exército ou com a presença de outro funcionário. Por um instante seu coração congelou. Assentiu com a dolorosa hipótese que era o único sobrevivente do setor, ou quem sabe do complexo. Respirou fundo e roçou a garganta enegrecida pelo pó.

Teve de fazer força para agarrar a borda do topo. Quando olhou para baixo viu que havia um poço escuro. Ele ligou a lanterna e mirou para inutilmente não achar o fundo do buraco. Agora tinha um novo capacete, mais dois cartuchos de munição que achara com um segurança morto. Ao longe ouvia um silencioso e discreto som de água. O mal odor do recinto se misturava com gás metano e cheiro de decomposição.

Ao analisar os canais de água, não teve como segurar a ânsia de vômito. As águas mais pareciam uma mistura de líquidos com resíduos sólidos que posteriormente eram esmagados. Os rotores não paravam e movimentavam tudo para um caminho extenso, fazendo as águas produzirem um ruído alto devido à violência que caiam e se colidiam nas paredes. Franziu o rosto.

Foi necessário descer e subir escadas escorregadias e imundas. O caldo chegava até a altura do peito. Suspirava e tentava esquecer que sua roupa estava encharcada com excrementos de vários funcionários da Black Mesa. Passou por uma breve galeria no qual um lago estava posicionado no meio a fim de armazenar água. Desatento, bateu em algo que aparentava ser uma corda, mas esta era estranhamente úmida e quente.

Barney riu silenciosamente, sendo que por pouco não repousou suas mãos naquele filete avermelhado como sangue. O guarda pulou para trás ao ver uma poça de saliva. Apontou a pistola para o teto antes mesmo de ele próprio olhar seu alvo. Ficava fixada no teto como se já tivesse nascido acoplada nela. A boca era rodeada por dentes que poderiam esmigalhar qualquer osso com facilidade. A língua servia como isca para capturar uma vítima ingênua, e por puro sarcasmo ou falta de atenção era ele quem seria essa vítima. Analisou brevemente a criatura. Calhoun não tinha palavras para designar aquela cena. As vezes sentia-se em um sonho, ou um universo paralelo, se é que isso existe, em outros tentava acreditar que aquilo era normal naquele calabouço que chamavam de Setor G. De qualquer maneira agilizou os passos cuidando para não encostar em nada que tivesse naquele local.

Localizou um defunto com uma espingarda automática com cartuchos espalhados em torno de uma poça de sangue. Barney rapidamente verificou os batimentos do homem, embora soubesse que ele certamente estava morto. Tão temerosos os funcionários da Black Mesa que era obrigação a realização de um curso de primeiros socorros. O rapaz morto, cujo rosto destacava-se uma marca de garra, fez com que Calhoun diminuisse a velocidade de seus movimentos. Ele lambeu os lábios e engoliu a saliva que estava em sua boca. Um pingo de suor escorreu pelo seu queixo. O segurança não queria avançar, olhando para todos os lados verificando a presença de alguém.

Sentia-se melhor depois que havia saído do cano de esgoto com gosto de porcaria. Queria saber como as famílias dos funcionários mortos iriam receber a notícia, quem daria as indenizações e de que forma seriam. A Black Mesa estava falida.

Cruzou uma pequena ponte após quase ser atingido por uma série de raios esverdeados. Se salvou graças a sua arma automática calibre 12, que esquentava na palma de suas mãos. 

Grandes tubos de concretos estavam cuidadosamente posicionados, erguidos de modo congruente até o topo. Eram os responsáveis por levar resíduos sólidos para outros locais.

Barney sentou-se e balbuciou algumas palavras ao ver as inúmeras marcas de tiro estampadas na parede. Acomodou-se no chão, encolhendo seus joelhos e colocando a escopeta do meio delas. Ficava tempos repetindo os mesmos pensamentos. Chegava a ficar cansado com isso. Ficar andando pelo complexo não era uma atividade que adorava fazer, aliás, até evitava fazer isso pedindo favores a outras pessoas. Acidentes em determinados setores eram comuns, principalmente para jovens cientistas com pouca orientação ou técnicos de manutenção que caíam em poços fundos ou eram feridos por máquinas de corte. Na sala de treinamentos recebeu instruções e até participou sozinho de simulações que envolviam incêndios e até locais com radiação. Seus pensamentos foram interrompidos por um pedido de socorro. Subitamente suas pupilas que outrora estavam quase se fechando de cansaço, se dilataram abruptamente. Calhoun se levantou e empunhou a arma.

Examinou o lugar e viu um segurança sob uma passarela sendo puxado pelos dois braços por uma dupla de cientistas. Estava distante. A larga passarela de metal estava acima de uma fenda escura. O guarda que balançava para os lados tentando inutilmente se soltar lançou outro grito, curvou-se no corrimão e caiu. O abismo era tão fundo que à medida que caia, seus berros ecoavam até que seu corpo se espatifou no chão. Os sujeitos que o seguraram entreolharam-se e se afastaram em direções opostas.

Barney olhou incrédulo para aquela cena grotesca. Verificou duas vezes a espingarda e lentamente esgueirou-se no corrimão, cuidando para não se desequilibrar. Virou para a esquerda.

Como se algo surgisse de seus pesadelos de quando era criança, um rosto subitamente materializou-se em sua frente. Era a face de um monstro, cuja silhueta podia traumatizar qualquer um. Sentiu-se sendo cortado por dentro ao ver aquilo. A feição era deformada assim como toda a estrutura corporal. A parte que correspondia da perna até os pés eram de um cientista. Os órgãos estavam expostos através de uma longa abertura mostrando também parte de suas entranhas. A cabeça parecia estar coberta por algum tipo de ser vivo. Era um daqueles pequenos seres que o atacaram quando ainda estava no laboratório. Entendeu porque aquele parasita sempre saltava na direção da cabeça. Deduziu que fosse uma espécie de mutação. O hospedeiro cedia seu corpo para o alienígena que agia como um sistema nervoso completo, logo o humano transformava-se tal como zumbis em filmes de terror. Calhoun observou desdenhosamente aquela criatura que uivava de forma bizarra.

As mãos do "zumbi" eram duas grandes garras avermelhadas que fizeram um vulto ao atacar Barne. Era lento. O segurança atirou apenas uma vez. O sangue espirrou na parede como um spray. A aberração saltou quase um metro, produzindo um grunhido enquanto suas garras que ainda gotejavam sangue tateavam seu corpo perfurado por várias bolas de chumbo. O guarda balançou a cabeça negativamente.

Achou mais munição e um colete intacto, já que o antigo não ficava rígido em seu corpo. O símbolo da Black Mesa ainda estava estampado em meio do sangue borrado que tingia a peça de proteção. Achou outros inimigos do mesmo tipo que foram dizimados rapidamente. Calhoun já estufava o peito embora estivesse sozinho.

Encontrou uma área alagada. Sua maior preocupação era que fazia muitos ruídos ao se deslocar. Nesse momento deveria estar se aproximando dos principais canais de drenagem B-03 ou talvez da usina hidrelétrica.

Entre tantas peculiaridades da BM, uma delas estava no chamado Setor G, que cuidava principalmente do fornecimento de energia de todos os demais setores, mesmo que todos tivessem geradores de emergência. Os administradores se vangloriavam com a construção, prova disso a divulgação que faziam em diversos painéis espalhados pelo complexo e outros editais divulgando os avanços da Black Mesa. Dali em diante não sabia de muitos detalhes, tampouco como os canais de drenagem se ligavam à usina. Eram conectadas com a linha vermelha do sistema de transportes. Lembrou-se que nos arredores existia a saída através do portão sul, exatamente onde estava, no entanto não deu muita importância. O objetivo primordial era chegar nos níveis superiores.

Uma criatura bípede fez um vulto na lateral de Barney. Graças a sua visão periférica, desviou-se de um jato de ácido que acertou diretamente uma parede que ao reagir com a substância transformou o concreto em líquido. Suspirou e olhou para os lados tal como um pedestre perdido em uma grande cidade. Haviam algumas pilastras de cimento onde poderia se esconder e analisar melhor o ambiente. A área estava ligeiramente alagada, porém era o suficiente para elevar os sons dos seus movimentos.

Uma bola verde surgiu na sua retaguarda. O guarda virou-se instintivamente. Seus reflexos estavam cada vez mais apurados. Mal viu a face da criatura e abriu fogo contra o ser bípede que ali surgira. O sangue esguichou e o corpo fora lançado cruelmente contra a parede, escorregando lentamente até a cabeça curvar-se para a direita.

Subitamente vários alienígenas surgiram. Um deles encarou Barney assim como um touro em meio de um espetáculo que ansiava em nocautear um humano. Ele estava entre as pilastras. Os olhos escuros daquele monstro encontraram seu rosto pálido com olheiras. Andava sob duas patas musculosas. O corpo era robusto e cada vez que bufava irradiava agressividade. Escutava o ritmo de sua respiração ao longe. A cauda, os tentáculos vermelhos em frente aos lábios com dentes afiados eram outras formas de ataque. Calhoun entrou em transe ao ver os alienígenas. Tudo que ocorria em sua volta tornou-se uma tela embaçada, como se quisesse dar destaque apenas para aquele monstro que denotava extrema raiva. A ponta da arma cintilou. O som do disparo desencadeou uma onda de fúria.

O feroz indivíduo lançou-se em uma corrida na direção do guarda, que sem hesitar atirou inúmeras vezes. A criatura recuou.

Intercalou a espingarda com a pistola, resumindo o grupo de alienígenas em pedaços. Atirava com brutalidade. Um deles tentou golpear Barney, no entanto este acertou várias coronhadas em cheio na face do extraterrestre que teve o rosto desconfigurado, outro rodopiou ao ser atingido na cabeça. A adrenalina já corria em suas veias e se fosse para ser assim, que fosse então.

O forte monstro que momentos antes encarou Barney, contorceu seu corpo para trás e lançou outra chuva de ácido verde. Aquele atirou com a última bala restante da espingarda. Os fragmentos de chumbo bateram na cabeça e nas costas do alienígena que apenas flexionou as pernas para os lados e em seguida caiu no chão. O sangue saia pela boca em dois trajetos diferentes porém congruentes. Parte do crânio estava exposta. As vísceras saíam como a de um animal que acabara de passar por um triturador.

Ele arrancou o colete e limpou o sangue esverdeado que escorria até seu cinto. Após o conflito tentou tirar suas botas. Seus pés mais pareciam dois palitos brancos e roxos enrugados devido o contato com a água. Amaldiçoou o calçado ao vê-lo frouxo. Pensou em Lauren, sua namorada. Barney sempre guardava um retrato dela em seu armário, algo típico nos casais que começaram um relacionamento ou que fossem recém-casados. Fechou os olhos e pensou no rosto dela. Lembrou-se que deveria ter comprado flores. Isso poderia significar pouca renda, mas sabia que isso grande significado. Não que fosse inteiramente metódico para relacionamentos, tampouco esquecia isso enquanto trabalhava. Apenas não era a hora e nem o dia certo para pensar nisso.

Andou para um borda e achou uma saída.

Enfrentou outros inimigos quando foi acionar a chave de energia para ligar um pequeno elevador de cargas. Cada vez que encontrava seres hostis, sentia seu corpo deteriorar-se, entretanto por algum motivo ou simplesmente por um certo impulso, poderia notar algo passando em suas veias deixando-o mais forte e com esperança. Pensava constantemente e consigo mesmo que já havia passado da hora de ser resgatado.

Já no topo notara que estava cercado outra vez. Bufou de raiva. As águas do esgoto escorriam até um rotor que aparentava rugir em um som ensurdecedor, denunciado a falta de lubrificação. Sugava e esfarelava grandes caixotes de madeira que não resistiam as grossas pás. No seu lado via um transporte de cargas com o mesmo mecanismo de um elevador, composto de uma grande superfície metálica com faixas de advertência pretas e amarelas nas bordas. O piso de metal era movido por um trilho um pouco posicionado na diagonal. A passarela era reforçada e carregava diariamente imensas caixas de aço que ou eram despejadas nos canais para serem posteriormente quebradas, ou para facilitar o transporte. O andar superior onde transportador de cargas estava era tão alto que via apenas uma cobertura negra. Os trilhos aos poucos iam sumindo.

Por mais que titubeasse, mergulhou na água que escoava sem pausa. Fazia um grande esforço para poder mergulhar, uma atividade que não tinha tanta facilidade em realizar. Percorreu um caminho difícil. A água que vinha no sentido contrário batia violentamente no seu peito, cabeça e por vezes entrava em sua boca. Caso perdesse o equilíbrio seria difícil retomar o trajeto e até mesmo existia a possibilidade de ter o corpo esmigalhado pelas grandes peças cilíndricas que giravam paralelamente.

Agarrou na borda de cimento e utilizando suas últimas forças pôs os pês nela, limpando suas botas encharcadas. Não dava para descansar. As passarelas, escadas verticais e encanamentos com gás vazando serviam de moldura para as paredes acinzentadas e úmidas com rachaduras de cimento mal emendado que deixavam expostos tijolos arcaicos. Calhoun achava tudo aquilo ridículo, afinal uma empresa do tamanho da Black Mesa poderia facilmente investir em manutenção. Em diversas ocasiões tinha de exercer a função de mecânico e eletricista.

Caminhou entre vários corredores até chegar no painel de controle. Era um lugar alto que oferecia uma ampla vista do canal e do grande elevador de cargas. O cômodo era resumido em algumas prateleiras. Um pequeno posto médico fixado na parede ficava ao lado da recarga das roupas HEV. Não sabia como funcionava tais vestimentas especiais e via aquilo com um certo repúdio, visto que dificilmente um cientista do Setor C que usava roupas HEV iria para ali. Barney já havia escutado algo sobre isso, que os seus usuários eram pessoas capacitadas para sobreviver em qualquer ambiente, porém um tempo depois começaram a sumir após realizar expedições em um lugar que não sabia dizer. Através dos burburinhos também ficou sabendo que a vestimenta futurística vinha acompanhada de uma série de equipamentos como detector de radiação, proteção contra fortes descargas elétricas e várias outras utilidades. O capacete se assemelhava com a de astronauta, só que de coloração alaranjada. Lembrou de ter visto na sala de monitoramento uma pessoa usando isso antes de tudo acontecer.

Subitamente um turbilhão de idéias invadiu a sua mente. A mulher que vira através da câmera usando a roupa HEV empurrava um carrinho que carregava um inusitado cristal. Relacionou os fatos e deduziu que algo de errado havia naquele mineral. No entanto não podia afirmar visto que nem sabia ao certo o que estava acontecendo e com quem estava lidando. Ansiava em achar um cientista e descarregar uma série de questões.

Observou um botão verde próximo de um vermelho. Ganhavam realce no lugar com a sua luz que reluzia nos olhos de Barney. Este apertou um deles. Sua expressão já era de felicidade.

Passou as mãos suavamente em sua nuca  aproveitando o momento de paz. Largou as armas em um canto e alongou suas pernas. Notou um feixe de luz passando reto em seu ombro. Virou a face para o elevador que acabara de descer trazendo consigo três daquela espécie que lançavam raios.

Não era um atirador de elite, entretanto com os minutos lutando contra eles aprendeu suas fraquezas. A criatura bípede com um olho bastava esperar efetuar seu ataque principal com descargas elétrica desviar-se, manter-se afastado para evitar uma luta corpo-a-corpo e poderia fogo. Os alienígenas menores eram peixes pequenos e não necessitavam muita sua atenção. Aquele que se assemelhava com um crocodilo cuja força parecia ser equivalente a de um touro, era o maior problema.

Protegeu-se atrás da parede de concreto. Ao longe ouvia as onomatopéias daqueles seres invasores. Uma dose de raiva deixou sua boca amarga. Encostou-se e pôs a mão nos lábios, respirando o ar de forma lenta. Puxava o ar e exalava para relaxar seus pulmões. Com a pistola em punho atirou freneticamente contra o outro lado do canal. Uma bala ricocheteou em uma caixa de metal, outras perfuravam as paredes até que uma atravessou a cabeça de uma das criaturas, que capotou para trás sem sinal de vida. 

Seu olho estourou como um balão lançando um espirro de sangue que jorrou em sua  volta. Restos de cartuchos paulatinamente formavam um círculo em sua volta. Os olhos de Barney iluminaram-se quando um traço de luz verde claro veio diretamente em sua direção. Abaixou-se e pôde ver um círculo escuro no cimento. Uma gota de suor salgou sua língua. Franziu o rosto e acertou outro alienígena. Este tombou para o lado ao ser acertado pela primeira vez, tentou afastar-se, mas uma bala atravessou suas costas ficando alojada no seu peito. Uma poça de sangue amarelada misturada com uma coloração verde tingiu o elevador. Teve a sensação que o último ser que restara do combate iria saltar no canal que ainda escoava água. Calhoun mirou e conseguiu abatê-lo com um único tiro bem no meio do peito. O alienígena girou em 180 graus como se houvesse sido golpeado fortemente, caindo diretamente no córrego. A água levou o defunto para os rotores onde teve o corpo esmagado impiedosamente.

Poderiam ser numerosos, mas não sabiam organizar-se para batalhar em um ambiente alheio que para eles ligeiramente estranho ou talvez hostil. Suspirou enquanto olhava para os rotores. Não havia como passar ali. Virando a cabeça para vários lados, achou uma caixa de explosivos com uma série de advertências sob o elevador de cargas. Uma idéia surgiu em sua mente. Esboçou um longo sorriso.

Em poucos instantes a caixa de explosivos já era levada pelo canal. Corria na velocidade das águas. Os rotores continuavam sugando tudo o que passava. Dizia-se que alguns funcionários que trabalhavam ali jogavam seus excrementos e urinavam ali mesmo como forma de protesto pela ausência de banheiros. Caso fosse assim estava começando a se arrepender de ter nadado nos canais. Os rotores que serviam como filtros para o esgoto, separando o sólido do líquido, deveriam ter mais de três metros de altura e estavam posicionados de forma congruente, não permitindo quaisquer restos de madeira passasem ali sem transformar-se em migalhas. Após este processo existiam várias grades para organizar o fluxo das águas a fim de conter a sua velocidade.

Quando as pás chocaram-se uma das outras comprimindo a caixa que Calhoun havia jogado, esta explodiu. Um estrondo dominou todo o local com uma única monossílaba. O estômago vazio de Barney estralou bruscamente. O chão todo tremeu e teve receio que o teto desmoronasse.

Os dois rotores resumiram-se em pedaços contorcidos de metal. Um deles ainda girava mas devagar, não demonstrando qualquer perigo. O que sobrou do equipamento aos poucos foram se reunindo nas grades de proteção.

Voltou a nadar no duto. Agora não se importava mais com a sujeira. Seja por uma sensação de alegria, sentiu que havia completado tudo o que deveria fazer. Estava feliz e não sabia o motivo. As tropas do exército já deveriam ter sido deslocadas até o laboratório e possivelmente estavam efetuando uma operação de resgate. Quando fechava os olhos o primeiro pensamento que vinha em sua mente era de uma porta de saída iluminada exageradamente com néon.

No final da galeria existia uma parte gradeada onde o acesso não era possível. Sacudiu a roupa observando o teto. Uma brisa massageou suas bochechas grandes e um tanto enrugadas. Relaxou seu corpo e aliviou-se. Andou por pequenos corredores antes de chegar na escada que levava para a superfície.

Já estava no topo dos canais de esgoto e o céu límpido poderia ser visto junto com raios solares que cegavam alguém que estivesse na escuridão por muito tempo. Metros acima uma dupla de soldados vestindo roupas camufladas portando submetralhadoras caminharam em uma parte gradeada do tubo esférico erguido até a superfície. Calhoun inutilmente ergueu a mão tentando chamar a atenção dos militares.

Sua visão prendeu-se nos rapazes e demorou a sentir um assobio acompanhado de um vento frio que pareceu atravessar seu pulmão. O vulto veio a partir dos soldados, passando rápido e em poucos segundos escutou algo se espatifando na água. Seu par de olhos quase saltaram ao ver o que havia caído.

Era o corpo de um segurança obeso com o colete contendo vários furos de bala. O guarda morto aos poucos foi afundando e Barney via apenas a grande barriga do funcionário flutuando no córrego. Saiu do transe quando os soldados se afastaram.

-Só por que a equipe de Shephard não veio fazer isso, temos que fazer esse trabalho? –Bufou um dos militares.


Tentou pensar na melhor hipótese. O cientista que encontrara nos dutos poderia estar certo, porém qual o motivo do exército matar os funcionários da Black Mesa? Aquele segurança poderia estar morto quando havia chego e eles estavam apenas retirando seu corpo. Caso eles fossem realmente enviados para esvaziar o complexo, tinha pouca munição contra um arsenal inteiro do exército além desses alienígenas. Seu poder de fogo era limitado e como não achava nenhum sobrevivente, não dava para designar um grau para o problema.

Os dois saíram resmungando através de grunhidos. Tentava ouvir mais um pouco do diálogo, mas já estavam longe.

Seguiu para um corredor que tinha um letreiro escrito Surface Access no alto. Baixou a cabeça montando imagens em sua mente do que poderia encontrar a seguir, uma tarefa difícil já que era tudo imprevisível naquele dia. Tudo aquilo estava mexendo violentamente com a sua vida. Se ao menos fosse um sonho teria acabado faz tempo.

A simples escada de acesso à superfície estava ali, erguida no meio de uma pequena sala com algumas caixas em volta, dizendo por si só uma passagem para a sobrevivência ou para mais problemas. Tentou relaxar os músculos com alguns gestos e massageou a nuca. Hesitava em momentos, mas assentia que deveria sair dali. A escada era extensa e o metal estava frio. Apertou firmemente com suas mãos grossas e machucadas. Respirou profundamente tentando olhar algo no topo. Via apenas o Sol escaldante da manhã cobrindo as montanhas rochosas do Novo México.

Não poderia esquecer que era um segurança e não um ator de um filme de ação.
 

Comments

  1. lendo isso me deu vontade de jogar!

    Uma história sobre o half life blue shift...Bom, os fãs do jogo serão o seu publico, concerteza!

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