E se tivesse acontecido aquilo?

Como vai galera? Espero que estejam bem.


>Ouça enquanto estiver lendo


Esse post será bem viajado, então ouçam a música que coloquei propositalmente e verão o motivo.

Se tem algo que me deixa bem irritado e igualmente apaixonado são essas pessoas que adoram ficar rodando a mesma música, ou seja, ficam questionando o que fizeram no passado e fazendo a mesma pergunta: "e se eu tivesse feito aquilo e não isso?" ou "e se tivesse acontecido aquilo?".

Primeiramente vou falar das decisões. Na realidade acredito que toda essa hesitação em fazer algo, para posteriormente ter o sentimento de arrependimento, é quase uma paralisia racional. Não que eu não goste de pessoas que pensem antes de fazer alguma coisa, porém detesto quando tenho que ouvir constantemente os famosos "e se".

Contar probabilidades não é ruim (é até tentador) e não é necessariamente divido em 50% de chances que seja bom e dê certo e 50% de ser ruim e dê errado. É interessante criarmos um mundo paralelo imaginando o que poderia acontecer se nossas escolhas tivessem sido diferentes. O problema é quando se apegamos a isso e é ai que surgem as palavras: indecisão e arrependimento.

A revista Superinteressante publicou no mês de Setembro uma matéria sobre instinto e razão. O artigo salienta a importância da experiência, onde sendo movida pelo cérebro faz com que a pessoa calcule previamente, baseando-se em decisões bem-sucedidas que realizou antes, por exemplo, a compra de um carro: você automaticamente calcula os gastos com o combustível, manutenção e outros, por outro lado destaca os benefícios que isso irá trazer. Tudo bem, o indivíduo vai lá e compra seu automóvel. Aqui há outro embate de idéias, sendo que em um lado você se sente parcialmente arrependido em ter entregado tanto dinheiro, todavia se vê feliz por realizar um sonho que transformou sua vida. A sua opinião sobre a compra do veículo pode mudar ao longo do tempo também.

Mas não é bem isso que quero dizer. Qualquer um está sujeito a escolhas e não obrigatoriamente optar por uma e não por outra será melhor ou pior, tampouco saberá qual o impacto disso no futuro. Ora, quer um exemplo? O filme Efeito Borboleta é excelente.

Nesta brilhante longa metragem estrelado pelo ator Ashton Kutcher, Evan é uma pacata criança que possui um pai, vizinho e seu filho problemático. Ele ama sua vizinha Kayleigh com quem se relaciona até a adolescência, mesmo tendo que passar por fases difíceis como ter de encarar o pai dela que é pedófilo e o irmão extremamente violento e ciumento em decorrência da ausência maternal. Lenny (irmão de Kayleigh) que já tinha demonstrado a sua personalidade agressiva, tem a idéia de colocar uma bomba dentro de uma caixa de correio de frente de determinada residência, matando uma mulher e seu filho enquanto estes verificavam as cartas.

O tempo passa, o casal se separa e Evan chega na universidade. Lendo seus diários o protagonista descobre que pode alterar o passado, então aos poucos tenta modificar sua infância repleta de traumas.

Mesmo fazendo escolhas que aparentemente iriam mudar o futuro para melhor, Evan percebe que cada viagem sua no passado traz mais sofrimentos para as pessoas que ele ama concretizando um perfeito ciclo vicioso. Em um dado momento, Kayleigh afirma que Evan não pode brincar de Deus. Percebendo que era o culpado de tudo, o protagonista decide ir para a sua infância pela última vez. No dia que ele conheceu Kayleigh, Evan ofende ela para que nunca se encontrassem novamente. Quando adulto e vê que está tudo bem com todos, destrói todas as lembranças de sua fase infantil e juvenil para por fim as viagens.

Essa foi uma pequena síntese. Para quem já assistiu sabe que o filme se dedica a mostrar as inúmeras viagens de Evan a fim de corrigir sua vida no digno "resolve um problema aparecem dois". Se não viu, dê uma olhada e pense sobre.

Como citei antes, arrependimento é fruto dessa grande indecisão no momento que você deve escolher. Prever o que isso pode vir ocasionar posteriormente é um tanto superficial, como já dizia uma antiga professora de história que lecionou para mim há algum tempo: "e se na história não existe. Não foram um ou dois acontecimentos que fizeram um fato histórico se tornar como ele é, mas inúmeros".

Não estou dizendo que largue tudo, escolha a primeira opção diretamente e sem planejar nada, apenas seja sensato e faça uma breve análise do que sua decisão poderá acarretar para você e nas pessoas em sua volta. Talvez o caminho que tenha tomado seja melhor (ou menos pior) que o outro que foi oferecido, conforme exemplificado no filme. Sua vida pode se transformar aparentemente com um único fato, seja tropeçando em uma pessoa dentro de um ônibus e ver que ele(a) é "sua metade". Ai você pensa: "puxa E SE eu não tivesse chegado atrasado(a) para pegar o ônibus e não estivesse chovendo, nunca teria conhecido ele(a)". Percebe? Vários fatores que levam a um desfecho.

E sobre a música... Eu não escuto muito Oasis, mas esta canção, assim como outras, me ajudam a refletir um pouco sobre tudo, servindo como um fundo musical para esse "mundo paralelo" que montamos. Se você não gostou, não tem problema, leia isto ouvindo algo que achar mais cabível, já que este texto é bom ler escutando alguma coisa sem ser o ruído dos coolers do seu computador.

Então até mais.

 

Comments

  1. Ora, menos menos.

    É a música tema do Efeito Borboleta. Achei que merecia.

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